domingo, 8 de dezembro de 2013
terça-feira, 8 de outubro de 2013
001 - Prefácio
Quando ele chegou não tinha um nome, mas um objetivo
bem traçado: seria meu companheiro de quarto. Eu queria branco, mas veio preto.
Queria calmo, veio agitadíssimo. No fim descobri que não há escolha nesta
situação. O simples fato de adotá-lo excluiu todos meus preceitos. Eu gostei.
A Bea chegou com ele no colo e de cara eu
pensei em Edgar. Ela adorou, eu adorei, o gato... Eu imaginei ele contente.
Tinha quarenta dias, os olhos verdes e um pelo preto veludo e cheio demais para
um filhote. Tudo isso me remetia ao Corvo:
Diante do gato
peludo e escuro,
Naquele atento costume,
Com o hálito de
peixe - o vago pensamento -
Mirou-me ali por
um momento,
E eu disse:
"Ei, tu que
das noturnas palavras vens,
“Embora as orelhas pontudas tragam,
"Sem azar, o
curioso felino que és,
"Dizes-me teu
nome gatinho;
"Como te
chamas tu, nessa noite de semana?"
E o gato miou:
"Nunca mais".
Mas concordo
que minha imaginação não confere a realidade, e por isso a chamam imaginação.
Edgar era Edgar por causa do autor e minha fascinação por ele. Tanto os contos
quanto a vida caótica. Talvez a escolha do nome tenha sido um dos fatores a
influenciar a persona do gato, não excluindo a bagunçada rotina que eu levo.
Enfim, Edgar, o gato preto que mora comigo,
me levou a escrever. Decidi relatar a facilidade com que ele faz amigos, as
brincadeiras agressivas, os lapsos de compaixão, a fascinação por sacolas e
moscas, as visitas para ele e não para mim... Quando ele aprendeu a subir no armário,
quando ele começou a praticar le Parkour no sofá. A vez em que ele carregou o conteúdo
da caixa de areia para o meio da sala. Quando me mordeu, quando mordeu a mãe,
quando mordeu o pai, quando mordeu a Bea e o Mu e todos as pessoas que
eventualmente entram no 103. Como acorda comigo e toma café junto. Como senta
sobre o frigobar e curte o movimento da rua.
A minha rotina e a do Edgar em... Preciso ir
ver porque ele tá miando agora. o/
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